Candidatura automática na Gupy e no InfoJobs
Já escrevemos campo a campo como é o formulário do Greenhouse, o que o mundo inteiro encontra. Este post é o outro lado: o circuito brasileiro, que funciona por regras diferentes e que quase nenhuma ferramenta feita lá fora toca. Gupy, InfoJobs, Sólides, vagas.com.br. Tudo que está aqui saiu do nosso próprio código e das medições que fizemos nesses sites, com data.
Por que a Gupy é diferente de um Greenhouse
Um Greenhouse é um formulário público: abre o endereço, preenche, envia. Ninguém precisa de conta. A Gupy é uma plataforma com cadastro, e é enorme — o portal tinha 82.832 vagas abertas quando conferimos ao vivo, em 27 de agosto de 2026, e entram cerca de 3.000 por dia útil.
Nem dá para varrer o país inteiro de uma vez: a paginação para no décimo milésimo resultado de cada consulta, então “todas as vagas do Brasil” não é uma pergunta que se possa fazer. Lemos por profissão e por estado, e por empresa quando faz sentido. Achar a vaga é a parte fácil, e é público.
Enviar é a parte difícil. Por baixo, a página da vaga é um programa que conversa em JSON com o servidor da Gupy — e o nosso caminho rápido conversa com esse mesmo JSON, sem abrir navegador. A alternativa é um Chromium inteiro e até oitenta voltas de leitura de página para preencher o que, no fundo, é uma conversa entre dois programas. Mas o login não passa por ali: a Gupy responde 412, “bot control token is required”, para qualquer coisa que não seja um navegador de verdade. Medido em 26 de agosto de 2026. Então quem entra é o navegador, uma vez, e a sessão fica guardada.
Conta de candidato: por que a automação precisa de uma
Quatro plataformas do circuito brasileiro não aceitam candidatura de quem não tem cadastro: Gupy, InfoJobs, Sólides e vagas.com.br. Não é escolha nossa, é a arquitetura delas — no InfoJobs e no vagas.com.br o botão “Candidatar-se” envia o currículo da própria plataforma, e não existe formulário externo para alcançar.
Então a conta nasce assim: e-mail e senha próprios, nunca entrada pelo Google ou pelo LinkedIn — login social quebra o re-login sozinho, e uma automação que precisa de gente para voltar a entrar não é automação. O e-mail é uma caixa aberta para a sua busca, não o seu pessoal. A senha é gerada e guardada cifrada. Como o Chromium do servidor é descartável — ele some quando a máquina desliga —, os cookies daquela conta são guardados cifrados no banco, um conjunto por pessoa e por plataforma, e restaurados na rodada seguinte. É por isso que a segunda candidatura na mesma plataforma não paga login de novo. A página de candidatura automática mostra onde isso entra no ciclo.
Uma exceção importa: na Gupy a identidade é o CPF, e existe uma conta por CPF. Quem já se candidatou por lá alguma vez já tem a única conta que aquele CPF vai ter, e ninguém consegue criar uma segunda — contamos esse caso inteiro no post sobre robôs que se candidatam. E o cadastro brasileiro pede CPF, telefone e data de nascimento. O CPF entra no perfil em branco e não aprovado, e só se preenche sozinho quando o seu próprio currículo traz os onze dígitos. Nunca é derivado e nunca é chutado: é perguntado, porque inventar um número de documento é fraude, não automação.
Campo a campo no formulário da Gupy
A candidatura tem três camadas, e só a última muda de vaga para vaga. Primeiro o currículo que a conta já carrega. Depois os campos de perfil que a Gupy já guarda — CPF, escolaridade, endereço —, preenchidos uma vez no cadastro. Por último, as perguntas que aquela empresa escreveu naquela vaga, que não estão na página pública: elas vêm no HTML da página de carreiras da própria empresa.
O currículo é conferido antes de tudo. Se a vaga exige currículo e a conta não tem nenhum no arquivo, o caminho rápido devolve a candidatura inteira para o navegador, que sabe subir arquivo — ele mesmo nunca sobe.
| Texto e texto longo | respondido |
| Escolha única e múltipla | respondido |
| Anexo por pergunta | vai para o navegador |
| Pergunta condicional | vai para o navegador |
| Tipo de campo desconhecido | vai para o navegador |
| Já se candidatou a esta vaga | não envia de novo |
Anexo por pergunta precisa de um envio de arquivo assinado só para aquela pergunta; pergunta condicional só aparece dependendo do que veio antes. Qualquer tipo novo que a Gupy invente mês que vem cai na mesma vala: “não sei fazer isto” e volta para o navegador. Se a vaga tem perguntas mas não há para onde mandar as respostas, ele não conclui a etapa — concluir enviaria tudo em branco. E antes de enviar ele confere a sua própria lista de candidaturas: se aquela vaga já está lá, não manda de novo. Uma segunda cópia entregue não volta atrás.
Cada resposta segue uma ordem só, a mesma no caminho rápido e no navegador: primeiro a resposta que você já aprovou, depois a resposta conservadora e verdadeira, depois um dado do próprio perfil, como um registro profissional. Se nada disso responde, a pergunta é devolvida em vez de chutada. Identificador não tem resposta conservadora: um link, um usuário, um número de documento — se não está no seu perfil, não se escreve nada, porque “não informado” parece resposta e não é. E tudo que o robô deriva é gravado como não aprovado, esperando a sua conferência.
InfoJobs, Sólides e o resto do circuito brasileiro
O InfoJobs cadastra numa tela só — nome e sobrenome, e-mail, senha, CEP, cargo desejado — com aceite de termos e um captcha que precisa estar resolvido antes de o botão funcionar. Depois chega um e-mail de ativação, e a conta não candidata nada antes de ele ser aberto: até lá o site só repete “só falta um passo para ativar a sua conta” em toda a área do candidato. E existe uma porta com o nome errado — o endereço que parece ser de login leva à tela de cadastro, com o link de entrar escondido. Em 6 de agosto de 2026 esse detalhe fez tentativas digitarem a senha num formulário de cadastro e pararem ali. Hoje é regra em código: enquanto o cadastro está em andamento, aquela porta é recusada.
O Sólides também cadastra numa tela: e-mail, confirme o e-mail, senha, confirme a senha, captcha, termos. O segundo campo fica desabilitado até o primeiro ser preenchido e a página se redesenhar — preencher os quatro de uma vez deixa o “Criar conta” inerte para sempre, sem dizer por quê. Quando dá certo, a página sai do formulário e vira a de validação de e-mail, e a mensagem chega na caixa cerca de seis segundos depois; medimos em 2 de setembro de 2026. Depois do login o perfil muda de endereço: o host de autenticação serve três páginas e mais nada, e todo o resto ali responde 404. Uma rodada nossa já gastou o orçamento inteiro clicando no único controle que aquela página de 404 tinha.
O currículo do Sólides pergunta nessa ordem: nome completo, CPF, telefone, data de nascimento, e-mail; depois um bloco opcional de sexo, raça-cor, orientação sexual e gênero, onde a resposta é “prefiro não declarar”; depois salvar. Nada disso é inventado — sai do seu perfil ou não é preenchido. O portal deles tinha 72.920 vagas abertas quando conferimos, em 7 de setembro de 2026.
O que dá errado, e como o robô se recupera
Dois erros ensinaram mais que todo o resto. O primeiro foi um muro que não era muro: o InfoJobs recusou cerca de quarenta cadastros seguidos em dois dias, sempre com “detectamos um problema de segurança”. O aviso sobreviveu ao solucionador de captcha, ao endereço residencial e ao cookie de liberação comprado — ou seja, nunca foi o endereço de saída. O que era constante nas quarenta tentativas era o perfil do navegador, carregando os cookies e a impressão digital de tudo que aquele site já tinha recusado. Perfil novo, mesma pessoa, mesmo e-mail: cadastro sem muro nenhum. Hoje todo cadastro nasce num perfil descartável, e todo login mantém o seu.
O segundo foi uma senha comprida demais. O vagas.com.br aceitou no cadastro a senha de 23 caracteres que a gente gerava, e depois recusou em todo login: “Senha é muito longo (máximo: 20 caracteres)”. O robô caía na recuperação de acesso de novo e de novo, o site travou a conta por doze horas e mandou e-mail para a pessoa avisando. Hoje o limite de senha de cada plataforma faz parte do registro, e a senha nasce dentro dele.
- Captcha nunca vira problema de gente. É uma escada: resolver o widget, largar os cookies velhos do desafio, clicar na caixinha, sair por outro endereço, comprar o cookie de liberação. Os dois degraus do meio são de graça e são os que mais funcionam — os pagos ficam atrás deles, não na frente.
- A espera dobra. Uma tentativa que falha é repetida em uma hora, depois duas, quatro, oito; com o teto padrão de cinco tentativas a escada inteira se gasta em cerca de quinze horas, no mesmo dia.
- Mas não é uma regra só. Vaga que saiu do ar tem uma tentativa e fecha. Muro tem uma tentativa. Tentativa que estourou o tempo trabalhando ganha o orçamento inteiro e um modelo melhor na volta. Falha do serviço que roda o modelo não gasta tentativa nenhuma.
- Conta que não deu certo volta. Nova tentativa em seis horas; três erros seguidos e a espera cresce, até no máximo uma semana. Um ajuste no código ou um dado novo no perfil levanta a espera na hora.
- E existe teto por plataforma. No máximo três candidaturas por dia no mesmo site, dentro do teto geral de dez por dia.
Leia também
- Robô que se candidata a vagas: como funciona de verdade — o que a imprensa deixou de fora e a prova de que a candidatura saiu.
- Como é o formulário de vaga da Greenhouse — campo por campo, o formulário que 147 empresas usaram no último mês.
Quanto custa está em Planos e preços e o resto nas Perguntas frequentes. Se quiser ver no seu caso, crie sua conta e cole o link de uma vaga da Gupy: a gente devolve a candidatura preenchida, com a prova do envio.