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Robô que se candidata a vagas: como funciona de verdade

“Robô que se candidata a vagas” virou manchete em 2026, e a reportagem termina no clique. O trabalho começa ali: onde o robô trava, como ele preenche um formulário da Gupy e como se prova que a empresa recebeu.

Autopreencher não é se candidatar

Uma extensão preenche o que está na tela. Um robô decide antes de haver tela: esta vaga ainda está no ar, existe conta aqui, a sessão ainda vale, esta pergunta tem resposta verdadeira nos seus dados. Nenhuma delas tem um campo correspondente.

Achar a vaga é barato: a Gupy tem uma busca pública que devolve JSON estruturado, sem login e sem navegador, conferida em 13 de agosto de 2026. O muro aparece tarde: a página da vaga é pública para quem está deslogado, e a conta só é exigida na hora de enviar.

Como um robô preenche um formulário da Gupy, campo a campo

A primeira camada é o cadastro: país, CPF, e-mail, nome, celular e data de nascimento. Os dois últimos campos são onde a automação morre em silêncio. O celular tem de entrar como 11 dígitos brasileiros, sem +55 e sem traço; a data, como DD/MM/AAAA. Fora disso o Continuar não faz nada.

A segunda camada são as perguntas daquela empresa, que vêm no HTML da página de carreiras dela. Uma página que não pôde ser lida tem a mesma cara de uma vaga que não pergunta nada, e por isso o código se recusa a enviar.

Texto curto e texto longopreenchido
Escolha única e múltipla escolhapreenchido
Anexo por perguntavai para o navegador
Pergunta condicionalvai para o navegador
Currículo no cadastroconferido antes
Pergunta sem resposta verdadeiravai para o navegador

A prova de que a candidatura saiu

Criada a candidatura, a Gupy responde 201, “criado”. Isso é um fato sobre uma requisição, não sobre uma candidatura: o código volta e lê a candidatura na sua lista da Gupy, e se ela não estiver lá, é proibido dizer que enviou. Num formulário comum a testemunha é a rede, ou uma confirmação escrita na página. A página de candidatura automática mostra o screenshot e o log de cada campo.

Quantas por dia fazem sentido, e por que 10 e não 1.000

Em quatro dias de uma busca real lemos 360 anúncios em onze sites: 47 bateram com o alvo e nove viraram candidatura. Nas contas de hoje, o número de vagas por dia que merecem o nome de alguém fica entre uma e oito. O teto é uma por dia no começo grátis e dez por dia com créditos, um crédito por candidatura. Mil por dia é parar de ler: cem candidaturas numa manhã aparecem para quem recruta, e os programas de contratação já tratam esse padrão como possível fraude.

O que ele nunca responde por você

  • CPF, telefone e data de nascimento não se inventam. Sem CPF no perfil, é uma parada limpa com o nome do dado que falta. Chutar um número seria fraude.
  • Autorização de trabalho e visto recebem a resposta conservadora. É o único campo em que a resposta errada é mentira, e não erro de digitação.
  • A sua conta do LinkedIn não é tocada. A gente só lê os anúncios.

Na Gupy existe uma conta por CPF, conferido em 21 de agosto de 2026: quem já se candidatou por lá tem a única conta que aquele CPF vai ter, e o painel pede aquele login uma vez. O circuito brasileiro está em candidatura automática na Gupy e no InfoJobs, os preços em Planos e preços e o resto nas Perguntas frequentes. Crie sua conta e cole uma vaga.